sábado, dezembro 21, 2002


Ciência Moderna:

Se mexer, pertence à Biologia.
Se feder, pertence à Química.
Se não funcionar, pertence à Física.
Se ninguém entende, é Matemática.
Se não faz sentido, é Economia ou Psicologia.
Se não mexe, não fede, não funciona, ninguém entende e não faz sentido, é...

...Informática...

A verdade dividida

A porta da verdade estava aberta
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só conseguia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em duas metades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
nenhuma das duas era perfeitamente bela.
E era preciso optar. Cada um optou
conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

Carlos Drummond de Andrade

Para revolucionar a jurisprudencia:
Um casal em processo de separaçao, estao discutindo com o juiz a custodia
da criança.
A mae argumenta que ela e quem tem que ficar com a criança, por todos os
motivos que as mulheres alegam nesses casos:
"Ela foi gerada dentro de mim","Ela saiu do meu ventre", etc e tal...
Mas o marido insiste, e o juiz pede que ele de os seus argumentos tambem.
- ExceleAncia, quando eu coloco uma moeda numa maquina de refrigerantes,
a Pepsi que sai, e minha ou da maquina?

pergunta do meu sobrinho de 5 anos, pelo telefone:

titia, eu ouvi no jornal que o verão chega hoje de noite. vai fazer sol de noite, é?

sexta-feira, dezembro 20, 2002


o globo repórter vai ser sobre fhc... isso me deu uma idéia... já pensou se colocassem câmeras escondidas nas casas dos chefes do executivo e pudéssemos assistir isso por um dia, como o big brother?

no interior ainda existem comportamentos do século passado... ainda tem gente na roça que não vacina os filhos e briga com os agentes de saúde que tentam fazer isso, expulsando-os de casa... por aqui a gente trava a mesma luta travada por oswaldo cruz.


não vai ter ministro do pmdb!!!

por falar nos chefes do executivo, eu defendo a idéia de que, a partir da posse, eles e as suas famílias só deveriam poder utilizar serviços públicos. os filhos teriam que ser matriculados em escola pública, precisando de consulta médica, seria pelo sus, se precisasse de internação, hospital público neles... quem sabe assim melhorava, né?

sobre o matadouro, se vocês vissem o que eu vi, como um boi é abatido, nunca mais comeriam carne... eu, depois que vi aquilo, nunca mais comi... aqui no exílio, é claro, porque eu sou carnívora convicta e não dispenso o meu rodízio quando vou para a capital...

mas é um absurdo... um nojo... uma sujeira... vou narrar de forma breve e omitir os detalhes sórdidos. o boi é morto a marretadas... é triste. depois os caras, sem a menor condição de higiene, sangram o boi no chão. todos sujos, com os pés descalços, um horror. aí cortam o boi no meio (tudo no chão, com mosca, cachorro, lama, sangue, tudo misturado). de vez em quando pegam um pano imundo, passam no rosto para limpar o suor, jogam o pano no chão, passam na carne para tirar o sangue... tiram o bofe do boi, que vai ser lavado no rio (detalhe: o matadouro fica na margem do rio, onde todos os detritos são jogados – os detritos de um boi poluem tanto quanto os detritos de 200 pessoas – você não leu errado: 1 boi = 200 pessoas)... aí pronto... retalham o boi e é essa carne que vai ser vendida. nos açougues não tem freezer nem balcão, a carne é passada para o consumidor já em início de decomposição (eles também vão ter que se adequar, senão vão ser fechados).

é isso. junta infração às normas sanitárias, ambientais e ao código de defesa do consumidor, tudo por causa do abate clandestino. foi feita um a pesquisa em MG, e foi apurado que 40% dos casos psiquiátricos dos hospitais de lá decorrem de cisticercose, por contaminação pela carne bovina... vi um filme, numa reunião em que tive em salvador em que a cena mais pesada foi a de um cara cortando um boi. ele tinha erisipela nas pernas e estava com elas dentro do boi, mutilando o coitado todinho. aí, quando saía, pegava um pano e passava nas pernas. aí voltava para continuar o trabalho e usava aquele mesmo pano para limpar o boi... é algo horrível, medieval...

não tem pra onde correr, vai ter que interditar, e até que a população compreenda e aceite a mudança, espero não ser apedrejada na rua...
o oscar escreveu num post sobre um político mariposa (paulo hartung)... são como os promotores/juizes/políticos de geladeira... quando abrem a porta da geladeira e vêem a luz viram para mostrar o melhor ângulo...

papai noel, eu fui boazinha o ano todo, viu??

político brasileiro é tudo igual, seja nas grandes cidades, seja nas pequenas... aqui onde eu moro vamos ter que interditar o matadouro de boi, que é clandestino... para a minha surpresa, o prefeito está todo solicito, me ajudando para isso... só que vai dar briga, porque a população – e os açougueiros, principalmente – não estão gostando da idéia, apesar de sabermos que não haverá prejuízo para a comunidade (existe um frigorífico na cidade vizinha onde os bois daqui poderão ser abatidos dentro de todas as condições de higiene exigidas)... pois bem, hoje eu ouvi (tenho os meus informantes) que o alcaide (alcaide me lembra o zorro :o)) me ajuda, porque quer que toda a “culpa” pela interdição recaia em cima de mim e ele se saia de bonzinho para a população.

a vida seria muito melhor se não fosse diária

nos dias quotidianos
é que se passam
os anos

(millôr fernandes)

amanhã é verão... se esse calor aumentar, eu não sei o que vai ser de mim...

quinta-feira, dezembro 19, 2002


Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

Fernando Pessoa, 1931.

Basta pensar em sentir
Para sentir em pensar.
Meu coração faz sorrir
Meu coração a chorar.
Depois de parar de andar,
Depois de ficar e ir,
Hei de ser quem vai chegar
Para ser quem quer partir.

Viver é não conseguir.

Fernando Pessoa, 14-6-1932

“Em recente despacho proferido em São Paulo, um juiz deixou de
conceder a tutela antecipada (fornecimento de medicamentos pelo SUS)
pretendida por um portador do vírus HIV, por entender que não há
risco de dano irreparável com a morte de alguém, pois somos
todos "mortais". Veja abaixo a íntegra do despacho proferido nos
autos do processo 968/01, da 7ª Vara da Fazenda de São Paulo:

Indefiro a antecipação da tutela.

Embora os autores aleguem ser portadores de AIDS e objetivem
medicação nova que minore as seqüelas da moléstia, o pedido deve ser
indeferido pois não há fundamento legal que ampare a pretensão de
realizar às expensas do Estado o exame de genotipagem e a aquisição
de medicamentos que, segundo os autores, não estão sendo fornecidos
pelo SUS.

A Lei 9.313/96 assegura aos portadores de HIV e doentes de
AIDS toda a medicação necessária a seu tratamento. Mas estabelece que
os gestores do SUS deverão adquirir apenas os medicamentos que o
Ministério da Saúde indicar para cada estágio evolutivo da infecção
ou da doença. Não há possibilidade de fornecimento de medicamentos
que não tenham sido indicados pela autoridade federal.

Por outro lado não há fundado receio de dano irreparável ou
de difícil reparação. Todos somos mortais. Mais dia menos dia, não
sabemos quando, estaremos partindo, alguns, por seu mérito, para ver
a face de Deus. Isto não pode ser tido por dano.

Daí o indeferimento da antecipação da tutela.

Cite-se a Fazenda do Estado.

Defiro gratuidade judiciária em favor dos autores.

Intimem-se

São Paulo, quinta-feira, 26 de julho de 2001.

****
Juiz de Direito”

não há fundado receio de dano irreparável??? morrer não pode ser tido por dano, porque mais dia menos dia todo mundo vai passar dessa pra uma melhor??? eu fico imaginando se essa criatura dissesse isso na minha frente... merecia uma surra bem dada, não merecia não??

em tempo: na semana passada uma juíza federal do sul do país decidiu que todos os remédios para o tratamento da AIDS terão que ser fornecidos pelo SUS, não importando se está na tal lista ou não.

estourar bolinha tá bom, mas vou trabalhar mais um pouquinho agora... mais tarde venho por aqui... já falei que o meu fim de semana vai ser no exílio de novo, né? mas eu sobreviverei! :o)

hoje um adolescente me procurou revoltado porque furtaram sua coleção de revistas playboy, uma senhora teve uma crise nervosa dentro da minha sala e quase tem um treco na minha frente e eu passei momentos de extrema angústia porque, por causa de um mal entendido, pensei que um amigo havia falecido. foi um dia de emoções fortes.

a bicicleta ergométrica veio toda envolta naqueles plásticos cheios de bolinhas de ar... agora estou eu aqui, feito uma psicopata, sem conseguir largar o plástico antes de estourar todas. Uma por uma.

toda quinta eu trabalho em uma cidade vizinha, onde sou substituta. hoje, quando cheguei lá, tinha um envelope na minha mesa. abri a cartinha. na verdade, uma série de denúncias cabeludas contra uma autoridade local. só que a carta é anônima. eu me chateio com isso! o pior é que eu não sei até que ponto tais denúncias são sérias e até onde são frutos de brigas políticas, que é o que mais tem por aqui.

comprei um cabid... ops! uma bicicleta ergométrica...

terça-feira, dezembro 17, 2002


tenho um amigo que é um poeta. desde a infância. uma vez, no primário, uma profesora pediu para os alunos fazerem, como dever de casa, uma frase sobre a floresta. no outro dia pediu para que o meu amigo lesse a frase que tinha feito em voz alta. ele, coitado, tímido como sempre foi, levantou e falou a frase:

- o silêncio da floresta é verde.

ao que a sensibilíssima professora retorquiu:

- oxente, menino! Desde quando silêncio tem cor??

preciso voltar a fazer exercícios... a única opção que tenho, já que na minha metrópole não temos academia, é comprar uma esteira ou uma bicicleta ergométrica (eu prefiro pedalar)... o que tem me impedido é o fato de que não ter uma por aqui me força a guardar todas as minhas roupas no armário... e isso é bom... a de lá de salvador já virou cabide há muito tempo.

alguém se surpreendeu com a notícia de haver membros de tribunais envolvidos com venda de habeas corpus para traficantes?

vou passar o final de semana aqui... mas segunda-feira de noite vou pra casa!!! e só volto no ano novo!!!

aliás, falando no ano novo, 2003 pode vir quente que eu estou fervendo!!! :o))

outro dia eu ouvi que ninguém é insubstituível... mas Evandro Lins e Silva vai fazer falta... pessoas como é ele estão cada vez mais difíceis de serem substituídas

obs. vi no jn que ele foi enterrado no mausóleu dos imortais... tudo bem, pode ter um sentido simbólico muito bonito, mas, logo de cara, isso me soou um paradoxo muito irônico... não gostei muito não.

ADORO O GILBERTO GIL! mas tenho sérias dúvidas sobre se ele dará um bom ministro... afinal, não basta ser um artista genial, atuante e carismático para administrar a política e projetos culturais do país... é preciso, também, ser político. isso é o que eu acho que falta nele... a experiência como vereador não foi satisfatória... agora só resta torcer muito para a assessoria ser boa...

mano wladimir (ou vladimir)??? Isso deveria ser crime... pode-se explicar esse desatino adotando uma linha freudiana de pensamento... poderia ser uma vingança inconsciente materna, por carregar o peso da criança no ventre, inchar, enjoar, etc, etc, etc... outra explicação, mais provável: carlinhos brown escolheu o nome da criança.
se esse menino não tiver uma personalidade forte vai ter sérios problemas... anos de análise. ainda mais se os pais resolverem dar uma educação “tribalista” à criança.

segunda-feira, dezembro 16, 2002


como disse otávio mangabeira: pense no maior dos absurdos. na bahia há precedente.

hoje o juiz com o qual eu trabalho estava indignado. uma sentença dele foi reformada pelo tribunal de justiça. era um processo de reconhecimento de união estável. só que não ficou comprovada, porque o companheiro da autora morreu logo depois que eles passaram a viver juntos. na verdade, nem isso tinha ocorrido de verdade. estavam em vias de juntarem os trapinhos, um vai não vai complicado, mas aí o cara morreu. logo, não existiu a união estável. Eu achei a sentença correta. Mas o desembargador relator não. sabe por quê?? segundo o emérito julgador, se o cara não tivesse morrido a união seria configurada!! então tá. eu vou entrar com uma ação de reconhecimento de união estável contra o ayrton senna. quando ele morreu a gente nem se conhecia. mas, se ele não tivesse morrido...

naquele post ali embaixo, sobre a biblioteca do inferno e os livros jurídicos, tem um comentário interessantíssimo da lidiane. o post foi sobre os livros jurídicos e a maneira como são escritos. bem, se eles muitas vezes são incompreensíveis e, na maioria das vezes, chatos para o público a que são dirigidos, imagino como se sente uma pessoa que não tenha intimidade com a linguagem jurídica ouvindo certos profissionais da área falando. claro que quando a gente pede algo em juízo, numa peça escrita, ou se manifesta em audiência, é preciso utilizar uma linguagem técnica, porque, em direito, se as coisas não forem bem esclarecidas, dá confusão. mas, a esta característica de certos colegas, de falar “juridiquês” a qualquer hora ou lugar, atribuo dois motivos, a princípio: necessidade de auto afirmação ou um meio de esconder a própria incompetência (ou os dois). essa linguagem, que para a maioria das pessoas é ininteligível, faz com que estes “juristas” se sintam protegidos, e fora do alcance dos “pobres mortais”. em síntese?? um misto de vaidade extrema e covardia.