sábado, dezembro 14, 2002


o carinha que traz a minha passagem de volta ao exílio acabou de passar aqui... pronto... bateu o desânimo. por que raios essa semana passou assim, num segundo?? bem, vou dar uma saidinha... antes vou ali arrumar a minha mala... acho que agora só escrevo de lá, quando furar a minha greve... :o))
não, não ficarei deprimida... o máximo que pode acontecer é isso:


até mais... boa semana prá nós todos... :o)


ontem encontrei uma pessoa que foi minha colega no terceiro ano colegial. a última vez que a vi, foi no dia do vestibular. faz quase dez anos. olha o diálogo:

eu, na maior animação - oi, fulana! menina, não acredito!! há quanto tempo!! Como você está, o que tem feito???
ela, sem se alterar - tudo igual, na mesma... e você, alguma novidade?
eu - você me dá só um minuto? lembrei que tenho que ligar para casa para lembra ao meu pai uma coisa importante, peraí, já volto...

voltei mesmo... mas tive que inventar essa desculpa cabeludíssima para processar a pergunta, né? uma pessoa que não me vê há quase 10 anos (sendo que foi justamente o período de tempo em que a gente saiu do colégio, ingressou na faculdade e na vida profissional) e depois de dizer que está tudo igual me pergunta se eu tenho novidades, tem que me dar esse tempo antes de começar qualquer conversa.
um post no descrente (link ali em cima) me fez lembrar de uma afirmação que fiz outro dia. se existir biblioteca no inferno, lá só tem livros jurídicos.

isso porque, ainda na faculdade, estudando para uma prova da matéria "introdução ao estudo do direito", dei de cara com essa afirmação, num livro conceituado: "a epistemologia jurídica é, pois, o que vem a ser, fatalmente." eu, que sempre estudei pelos livros da biblioteca, naquele momento dei graças por não ter podido comprar o tal livro (pois se tivesse $$$ certamente teria adquirido). ia me sentir uma idiota em gastar dinheiro para uma pessoa me dizer que uma coisa é o que ela vem a ser.

um outro exemplo é um livro que eu ganhei recentemente. a pessoa me falou: "olha, vi esse livro e só pelo título achei que iria te interessar". eu, que adoro presentes, fiquei muito feliz com a lembrança e me esqueci de uma grande verdade: comprar livro pelo título e perfume pelo frasco é roubada. e, além do mais, o título é realmente interessante: "à margem do direito - ensaio de psicologia jurídica". é de pontes de miranda, quem estudou/estuda direito certamente conhece o autor.

cheguei em casa e li o primeiro parágrafo: "às mais das vezes, à imaginação que devaneia, afogada em fantasia, ou perscruta e reflete, entesourando experiências, surgem, bafejados por impulsos potentes, emergindo, ou reportando, no desordenado, em que se espelham, do ambiente das coisas, os problemas ou os pequenos cenários que nos impressionam, à mercê de um determinismo psicológico, notado à primeira observação, tão fecundo e assaz intenso, que vacilamos à porfia, ante o termo com que possamos inculcar: o determinismo, em sua inteireza, debuxando, na escolha a encenação do assunto..."

tudo bem, eu estava com sono, cansada, tinha acabado de chegar de uma festa, mas, diz aí, é traumatizante, nénão??? isso faz umas duas semanas e só voltei a abrir o livro agora... vou ler até o fim... já me prometi.. mas vai ser difícil. pode ser um livro interessantíssimo, o tema pode ser palpitante (até acredito que seja mesmo), mas ele poderia escrever de outra forma, nénão??

agora, voltando à biblioteca infernal, imagina passar uma eternidade lendo esse tipo de coisa?? misericórdia...

coisas que a gente encontra nos classificados de um jornal (já recortei o anúncio e vou guardar, para se quiserem ver para crer):

"SÍTIO só para artistas, Igreja Evangélica, Cantor e político. Tem de tudo. Muito caro."

esse direciona o anúncio e não cria falsas esperanças na classe média... e também sabe quem é que tem dinheiro nesse país...

vixi!! acabo de descobrir que tem um link para o bazar no blog da cora (tudo lindo - clique no link ali em cima, por favor)... ela também faz parte da lista das "mais mais" do bazar... hoje o meu dia está sendo feito de pequenas e agradáveis surpresas... :o)
e olha o link que ela colocou prá cá:


e aí?? é prá ficar boba ou não é?? :o)
obrigada, cora.


dúvida que eu não faço a mínima questão de esclarecer: porque em toda palavra que tem acento, que eu quero colocar na parte dos mais mais, sai, ao invés da letra acentuada, esse "Ã" enigmático... vai entender esse negócio de html...

aliás, essa lista das "mais mais" já era para ter sido feita há algum tempo... mas é que quando eu quero mudar algo aqui, tenho que vir num dia bom, em que eu esteja calma, feliz, tranquila, extremamente paciente... :o) hoje, por exemplo... :o))

no blog da li eu passei de "idas e vindas" para "amigos"... por que hoje todo mundo tá me fazendo ficar boba?? :o)) justo hoje, que eu estou sentimental... :o))
obrigada, viu, li? e uma SURPRESA!!!!!!! você é uma "mais mais" aqui no bazar! :o))

pesquei no leite de pato (link ali em cima)

"Se um turista chegasse hoje na Venezuela para estudar o quadro sócio-político local, correria o risco de se surpreender. Se decidisse cruzar o país de cima a baixo, parando nas principais cidades e terminando seu périplo na capital, Caracas, sem ver a programação de quatro grandes canais de televisão venezuelanos (Venevisión – canal 4; Televen – canal 10; RCTV – canal 2 e Globovisión – canal 33), chegaria à conclusão de que não existe conflito político algum. A verdade inquestionável é que essas quatro emissoras vêm encabeçando uma campanha desestabilizadora sistemática e contínua que insufla o conflito político na Venezuela."

lembrei daquele filme do capra, a mulher faz o homem ("mr smith goes to washington")... a verdade, como todos nós estamos cansados de saber, é que quem tem dinheiro e detém os meios de comunicação, faz a opinião pública... aliás, quando eu vi esse filme, até pensei que capra poderia ter se inspirado no acm para criar aquele milionário, dono dos jornais... e não vi diferença entre o estado do mr. smith e a bahia... o filme é bom... para quem não viu, eu recomendo...


taí um casal especial:

a próxima vez
que quiser ler meu pensamento
vai ver uma coisa
letras soltas
páginas rasgadas
capítulos sem fim
vírgulas loucas
surpresas e suspiros
tigres de papel
caras de nanquim

só mais uma coisa
já que você vai mesmo ver alguma
que tal olhar pro céu
em vez de olhar pra mim ?
(leminski)
________________________

Despedida

Antes que eu te deixe
Deixa eu dar um gole em você
Ficar de porre até o verão
Deixe uma dúzia de carinho
Do mais terno
Que dure todo o inverno
Me conte um sonho
Vou sonhar no outono
Depois me deixe ir
Se puder me espera
Volto quando acabar
A primavera.
(Alice Ruiz)


outra coisa: descobri que ainda tenho o costume dos tempos de escola de sentar com a "turma do fundão" :o)) ontem a minha mesa era a mais animada (tá bem... bagunceira...). até concurso para desenhar o cara que estava dando a palestra teve (eu ganhei!!!). eu e essa minha propensão anárquica... para mim, sentar naquela mesa (era por sorteio) foi a melhor parte do evento. foi nela que eu percebi que a antipatia que eu sinto por alguns dos meus colegas não pode e nem deve se estender a todos, gratuitamente.



ainda sobre o seminário: o que valeu mesmo foi poder conhecer vários colegas. eu, que pensava que a imensa maioria de "estrelas" e "egos" iria manchar o evento, me enganei. conheci muita gente boa, divertida, animada e que quer trabalhar de verdade e não aparecer na mídia. descobri que, com o tempo, até que vai dar para fazer boas amizades.

sobre o seminário do qual eu participei: o saldo foi positivo. mas é muito difícil repensar toda uma instituição e pensar em meios para mudá-la, mudar os seus membros e mudar o mundo em apenas dois dias... afinal, ninguém ali é cérebro, que tem milhões de idéias para conquistar o mundo amanhã... eu, por exemplo, me identifico mais com o pink... :o))




"A arte é o espaço humano da mais inteira liberdade. Eu só vejo dois fenômenos iguais na experiência humana: o fenômeno da fé e o fenômeno da arte. Nesses dois lugares, nesses dois espaços, ninguém manda, o único dono dessa experência sou eu, somos nós, indivíduos, diferentes... na fé e na arte. A arte é uma linguagem diferente de todas. Ela não é matemática, não é filosófica, não é política, não é doutrinária, não é para contar nada. A arte é pura expressão."
(Adélia Prado)



 


::VOLTEI::


presente da Li... :o)



LINDO, NÉNÃO?

quarta-feira, dezembro 11, 2002


acabei de receber por e-mail. não podia ir antes de deixar aqui no blog... :o)) perdoem os palavrões... joãozinho está revoltado, e com certa razão... :o))

Carta ao Papai Noel

Prezado Papai Noel:

Você, na certa, vai achar estranho te escrever hoje, 26 de dezembro, mas quero falar logo da minha reação ao receber os presentes que você deixou na minha árvore ontem, dia de Natal.

Como você bem deve se recordar, eu tinha pedido uma bicicleta, um trem elétrico, um nintendo e um par de patins, pois bem: Quero lhe informar que durante o ano passado inteiro eu me matei de estudar, fui um dos primeiros da turma, tirei 10 em todas as matérias. Ouso afirmar que ninguém se comportou melhor do que eu, nem com os pais, nem com os irmãos, nem com os vizinhos. Tem mais. Cumpri minhas tarefas e obrigações sem cobrar. Ajudei velhinhos a atravessar as ruas. Não houve nada que eu não fizesse de bom e
de gentil com os meus semelhantes.

Mesmo assim, com uma tremenda cara-de-pau, você, Papai Noel de bosta, me deixou debaixo da árvore a porcaria de um pião, uma porra de uma corneta e uma merda de um par de meias. Seu barrigudo miserável de uma figa!! Ou seja, comporto-me como um imbecil de merda o ano inteiro e você me faz uma putaria dessas? E o que é pior, ao filho da vizinha, esse veado sem educação, malcriado e desobediente, que grita com a mãe e chama o pai de corno, para esse anormal você trouxe tudo o que ele pediu.

Por isso eu estou desejando do fundo de minha alma que aconteça um terremoto para irmos todos à puta que nos pariu, já que com um Papai Noel incompetente e retardado como você, é melhor que a terra nos engula, mas não deixe de vir no Natal do ano que vem, pois pretendo arrebentar a pedradas as putas das tuas renas. Começando por este homossexual do Rudolph que tem nome de bicha enrustida. Vou espantar estas renas todas para que você se foda e tenha que andar a pé como eu, velho broxa!! A bicicleta que eu pedi era para ir à escola, que fica longe pra cacete da merda da minha casa!

Eu não quero nem devo me despedir sem mandar você tomar no cú...
Espero que quando você estiver no seu trenó, aquela bosta vire com você dentro, para que você se arrebente no chão feito um pacote de cocô, gordo e vermelho.

Isto é um aviso. No ano que vem você vai ficar sabendo o que é um garoto mal-educado, doido para se vingar.

Atenciosamente,

Joãozinho

terça-feira, dezembro 10, 2002


e, já que comecei o dia celebrando o olhar, vou terminar da mesma forma...

Poema dos Olhos da Amada
Vinícius de Moraes

Ó minha amada // Que olhos os teus // São cais noturnos // Cheios de adeus // São docas mansas // Trilhando luzes // Que brilham longe // Longe nos breus...

Ó minha amada // Que olhos os teus // Quanto mistério // Nos olhos teus //Quantos saveiros // Quantos navios // Quantos naufrágios // Nos olhos teus...

Ó minha amada // Que olhos os teus // Se Deus houvera // Fizera-os Deus // Pois não os fizera // Quem não soubera // Que há muitas eras // Nos olhos teus

Ah, minha amada // De olhos ateus // Cria a esperança // Nos olhos meus // De verem um dia // O olhar mendigo // Da poesia // Nos olhos teus

amanhã começa o seminário que eu vou participar... serão três dias (quarta, quinta e sexta) enclausurada num hotel, participando das programações comandadas pela "Amana Key" (alguém já ouviu falar??). segundo eu soube, é uma empresa de consultoria que trabalha no estilo "o segredo do sucesso"... bem, não quero ser chata, mas, a princípio, acho que não vou gostar... fui informada que essa empresa cobra os olhos da cara para fazer algo desse tipo (o preço varia de acordo com o número de participantes). além disso, a hospedagem do hotel também vai ser financiada pela instituição na qual eu trabalho. estou pensando seriamente em ter uma conversinha com o chefe e pedir a minha parte em dinheiro...

hoje eu estava no shopping e vi uma cena tão bonitinha... uma menininha, sentada no colo do papai noel, os dois batendo o maior papo... não era daqueles papais nóeis falsificados... ele era gordo de verdade e a barba e o bigode também eram verdadeiros... ele falava alisando a barba e olhando para o nada, como se estivesse contando reminiscências da sua infância no polo norte... ela, atenta, com o braço em volta do pescoço dele, ria um sorriso de quem estava adorando a história, e às vezes interrompia, fazendo (foi o que me pareceu) alguma colocação importantíssima, a qual ele ouvia com atenção... me deu uma vontade danada de sentar aos pés da cadeira e participar daquela conversa...

aconteceu com uma amiga minha. estava ela esperando um ônibus. para um no ponto. breve diálogo com o motorista:

ela - motorista, passa no hospital sara?
ele - passa.

ela sobe no ônibus, paga e se acomoda.
o hospital se aproxima. ela levanta e se dirige à porta de saída. puxa a cordinha. o motorista passa direto (só parou no outro ponto, alguns muitos metros à frente).
diálogo:

ela - oxente, motorista, você não disse que passava no sara?
ele - eu disse que passava, não disse que parava, olha o português...

clica ali num dos mais mais do blog, vai!! clica lá!!! o que aconteceu, hein?? hein?? hein??
abriu uma janela nova, não foi??? essa foi mais uma árdua conquista nas minhas incursões no template desse blog... :o)) estou orgulhosa de mim...

p.s. quando, num belo dia, você vier aqui e achar tudo misturado, ou não achar nada, é porque deu merda... :o)

esse computador pensa que pode me enlouquecer... bem, se tentar com um pouco mais de afinco pode até conseguir... mas ainda não foi dessa vez... :o)


eu só queria incluir o gravataí meregue na lista dos mais mais...

você viu que mudei a cor dos comentários?? sabe como eu fiz isso?? então me diz, por favor, porque eu não tenho a mínima idéia...

por que isso nunca faz o que a gente manda???

mais um compondo a lista dos "mais mais" ali em cima...
vai que é bem legal.

alguém poderia, por caridade, me explicar como fazer para quando alguém clicar em um link aqui no bazar, abrir uma nova janela?


muito
agradecida...


para começarmos o dia cantando! :o)

Seu Olhar
(Gilberto Gil)

Há no seu olhar
Algo que me ilude
Como o cintilar
Da bola de gude
Parece conter
As nuvens do céu
As ondas brancas do mar
Astro em miniatura
Micro-estrutura estelar

Há no seu olhar
Algo surpreendente
Como o viajar
Da estrela cadente
Sempre faz tremer
Sempre faz pensar
Nos abismos da ilusão
Quando, como e onde
Vai parar meu coração?

Há no seu olhar
Algo de saudade
De um tempo ou lugar
Na eternidade
Eu quisera ter
Tantos anos-luz
Quantos fosse precisar
Pra cruzar o túnel
Do tempo do seu olhar


recebi há algum tempo, por e-mail:

A Diferença entre "Foco no Problema" e "Foco na Solução"

Quando a NASA iniciou o lançamento de astronautas, descobriram que as canetas não funcionariam com gravidade zero. Para resolver este problema, contrataram a Andersen Consulting (hoje Accenture).

Empregaram uma década e 12 milhões de dólares desenvolvendo uma caneta que escrevesse com gravidade zero, ao contrario e de ponta cabeça, debaixo d'água, em praticamente qualquer superfície incluindo cristal e em variações de temperatura desde abaixo de 0 ate mais de 300 Celsius...

Os russos utilizaram um lápis ...

prá mim se aplica perfeitamente. se fosse eu, até agora estaria tentando inventar a tal caneta!!! de vez em quando eu passo um atestadozinho de ignorância e procuro as soluções mais complicadas, quando a resposta está na frente do meu nariz... sabe quando a gente olha e não vê? é isso... :o))

segunda-feira, dezembro 09, 2002


o calor está rachando telha. estava eu, agora à tarde, sentada num banco, no farol da barra, esperando a minhã irmã, lendo e tomando sorvete (sabores tapioca e coco verde - recomendo). chega um cidadão não sei de onde e senta do meu lado. lendo eu estava, lendo eu fiquei. daí uns segundos, ele dispara:

ele - na boa gata, você é muito linda, que tal a gente ir num "place" legal, conversar, para se conhecermos melhor, tomando uma cervejota?
eu, levantando os olhos da revista, olhando para a criatura e falando com gentileza e polidez - não, muito obrigada.
ele, levantando do banco e se dirigindo a um amigo que estava próximo, vendo tudo - pô cara, o que mata nessas mulheres de hoje é o orgulho e a vaidade. tudo com o rei na barriga!

eu, que depois de recusar o gentil convite voltei a ler, continuei da mesma forma, tomando o meu sorvetinho.

agora, já em casa, me pergunto: "na boa, gata"?? "place legal"?? "se conhecermos"?? "CERVEJOTA"??? um cidadão que acha que vai conseguir muita coisa com esse tipo de abordagem, está na escala de evolução, como diz um amigo meu, entre a barata e a torradeira elétrica.


boa semana, todo mundo!

"SE TANTO QUANTO SE QUISESSE SE PUDESSE
SE TANTO QUANTO SE SENTISSE SE DISSESSE
SE TANTO QUANTO AMOR EXISTE SE SOUBESSE
A VIDA NÃO SE PERDERIA, - MAIS HOUVESSE"

Geraldo Vandré,
Chile, 1973.

domingo, dezembro 08, 2002


Um Beijo
(Vinícius de Moraes)

Um minuto o nosso beijo
Um só minuto; no entanto
Nesse minuto de beijo
Quantos segundos de espanto!
Quantas mães e esposas loucas
Pelo drama de um momento
Quantos milhares de bocas
Uivando de sofrimento!
Quantas crianças nascendo
Para morrer em seguida
Quanta carne se rompendo
Quanta morte pela vida!
Quantos adeuses efêmeros
Tornados o último adeus
Quantas tíbias, quantos fêmures
Quanta loucura de Deus!
Que mundo de mal-amadas
Com as esperanças perdidas
Que cardume de afogadas
Que pomar de suicidas!
Que mar de entranhas correndo
De corpos desfalecidos
Que choque de trens horrendo
Quantos mortos e feridos!
Que dízima de doentes
Recebendo a extrema-unção
Quanto sangue derramado
Dentro do meu coração!
Quanto cadáver sozinho
Em mesa de necrotério
Quanta morte sem carinho
Quanto canhenho funéreo!
Que plantel de prisioneiros
Tendo as unhas arrancadas
Quantos beijos derradeiros
Quantos mortos nas estradas!
Que safra de uxoricidas
A bala, a punhal, a mão
Quantas mulheres batidas
Quantos dentes pelo chão!
Que monte de nascituros
Atirados nos baldios
Quantos fetos nos monturos
Quanta placenta nos rios!
Quantos mortos pela frente
Quantos mortos à traição
Quantos mortos de repente
Quantos mortos sem razão!
Quanto câncer sub-reptício
Cujo amanhã será tarde
Quanta tara, quanto vício
Quanto enfarte do miocárdio
Quanto medo, quanto pranto
Quanta paixão, quanto luto!...
Tudo isso pelo encanto
Desse beijo de um minuto:
Desse beijo de um minuto
Mas que cria, em seu transporte
De um minuto, a eternidade
E a vida, de tanta morte.

ele foi o melhor 007. e tenho dito. e prá algum ser melhor do que ele, vai ter que rebolar. logo daí, vê-se que vai ser impossível, porque james bond rebolar é algo inimaginável...


ainda vou fazer aqui uma série: a maria na poesia... :o)

Caso pluvioso
(carlos drummond de andrade)

A chuva me irritava. Até que um dia
Descobri que maria é que chovia.

A chuva era maria. E cada pingo
De maria ensopava o meu domingo.

E meus ossos molhando, me deixava
como terra que a chuva lava e lava.

Eu era todo barro, sem verdura...
Maria, chuvosíssima criatura!

Ela chovia em mim, em cada gesto,
Pensamento, sono, desejo e o resto.

Era chuva fininha e chuva grossa,
Matinal e noturna, ativa... Nossa!

Não me chovas, maria, mais que o justo
chuvisco de um momento, apenas susto.

Não me inundes de teu líquido plasma,
não sejas tão aquático fantasma!

Eu lhe dizia - em vão - pois que maria
quanto mais eu rogava, mais chovia.

E chuveirando atroz em meu caminho,
o deixava banhado em triste vinho,

que não aquece, pois água de chuva
mosto é de cinza, não de boa uva.

Eu lhe gritava: Pára! E ela, chovendo,
poças d'água gelada ia tecendo.

Choveu tanto maria em minha casa
Que a correnteza forte criou asa

e um rio formou, ou mar, não sei
sei apenas que nele me afundei.

E quanto mais as ondas me levavam,
as fontes de maria mais chuvavam,

de sorte que com pouco, e sem recurso,
as coisas se lançaram no seu curso,

e era o mundo molhado e sovertido
sob aquele sinistro e atro chuvido.

Os seres mais estranhos se juntando
na mesma aquosa pasta iam clamando

contra essa chuva, estúpida e mortal
catarata (jamais houve outra igual).

Anti-petendam cânticos se ouviram.
Que nada! As cordas dágua mais deliram,

e marias, torneira desatada,
mais se dilata em sua chuvarada.

Os navios soçobram. Continentes
já submergem com todos os viventes,

e maria chovendo. Eis que a essa altura
delida e fluida a humana enfibratura,

e a terra não sofrendo tal chuvência
comoveu-se a Divina Providência,

Deus, piedoso e enérgico, bradou:
Não chove mais, maria! - e ela parou.

esse poema é recitado pelo "cordel". tá no cd... no show, foi a única coisa que eu consegui escutar e identificar...:

AI SE SESSE

Se um dia nós se gostasse
Se um dia nóis se queresse
Se nóis dois se impariasse
Se juntin nóis dois vivesse
Se juntin nóis dois morasse
Se juntin nóis dois drumisse
Se juntin nóis dois morresse

Se pro céu nóis assubisse
Mais porém se acontecesse
E São Pedro num abrisse
A porta do céu e fosse
De dizer quarquer tulisse
E se eu me arriminasse
E tu cum eu inssitisse
Pra que eu me arresolvesse
E minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Tarvez que nóis dois ficasse
Tarvez que nóis dois caísse
E o céu furado arriasse...
E as virgem todas fugisse.

eu ouvi o cordel do fogo encantado pela primeira vez há dois anos, mais ou menos. gostei muito do som que os rapazes fazem. aí, um belo dia, resolvem vir se apresentar na concha acústica do teatro castro alves. lá vou eu, toda serelepe, achando que vai ser o máximo e com a melhor das expectativas, ver os meninos tocarem e cantarem... chegando lá era só alegria. milhões de pessoas conhecidas, aquela farra. a névoa de cannabis já estava pelo ar antes do show começar, mas isso era de se esperar. começa a apresentação. o som, em uma palavra: péssimo. não dava para escutar nada que o vocalista cantava. quer dizer, berrava. aliás, falando nele, o cara estava doidão!!! aliás, doidona estava eu, aspirando a tal névoa que virou um denso nevoeiro (por falar nisso, tem cheiro mais enjoado?). o homem lá na frente já tinha passado de bagdá há muito tempo. a concha encheu de um jeito, que a gente não podia nem tirar o pé do lugar, senão corria o risco de outro pé tomar o lugar e ter que ficar o resto da apresentação igual a saci. lá paras as tantas, no meio da platéia, apareceram umas meninas fazendo acrobacias com uns malabares, que, por sua vez, estavam pegando fogo. isso mesmo... numa platéia que mais parecia uma lata de sardinha, as tais moçoilas faziam acrobacia com fogo!!! os seguranças do lugar imediatamente foram tomar os malabares, o que demonstrou a total desorganização e falta de comunicação entre os produtores do evento e a administração do local. começo de confusão. o vocalista do grupo, vendo tudo, falava arrastado, quase dando um nó na língua: deixa as meninas em paz... parem com isso rapazes, e voltou a cantar (berrar). nessa hora eu olhei para o relógio... 20:40... que vontade de estar em casa vendo o willian e a fátima... acabou o show (?)... voltei para casa. o cd continua aqui. continuo ouvindo e gostando do som dos rapazes. eles lá (bem longe) e eu cá...

mais no mínimo:

Dia desses a autoridade suprema da comunidade Zulu reuniu a nação para discursar sobre os riscos da AIDS que está dizimando sua população. Cadê o pessoal da PETA que não estava lá? Não que os Zulus devam ser objeto da preocupação daquelas senhoras. Não, eles não são animais. Mas o Rei Zulu ostentava, em sua figura majestosa, inúmeras peças subtraídas de animais belíssimos

isso me lembra de algo que eu estava conversando outro dia com umas pessoas... não que não seja importante a luta pela ecologia, fauna, flora, ar, água e tais... mas ainda não se aperceberam que, enquanto o homem não se preocupar com ser humano, muito menos vai ligar prá chinchilas, coelhos, minks e outros bichinhos peludinhos...

cresci ouvindo o meu pai cantar, e ele sempre cantava essas duas músicas juntas, uma depois da outra (não sei se por que motivo... coincidência, eu acho...). por isso, quando eu era criança, pensava que as duas eram uma música só, misturava as letras, fazia a maior embolação...

Hoje eu quero a rosa mais linda que houver
E a primeira estrela que vier
Para enfeitar a noite do meu bem
Hoje eu quero a paz de criança de dormindo
E o abandono das flores se abrindo
Para enfeitar a noite do meu bem
Quero a alegria de um barco voltando
Quero a ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem
Ah! Eu quero o amor mais profundo
Eu quero toda a beleza do mundo
Para enfeitar a noite do meu bem
Ah! Como este bem demorou a chegar
Eu já nem sei se terei no olhar
Toda a ternura que eu quero lhe dar
_________

Eu sonhei que tu estavas tão linda
Numa festa de raro esplendor,
Teu vestido de baile lembro ainda,
Era branco, todo branco, meu amor.
A orquestra tocou uma valsa dolente,
Tomei-te aos braços, fomos dançando
Ambos silentes,
E os pares que rodeavam entre nós
Diziam coisas, trocavam juras
A meia voz.
Violinos enchiam o ar de emoções
E de desejos uma centena de corações .
Pra despertar teu ciúme
Tentei flertar alguém,
Mas tu não flertaste ninguém,
Olhavas só para mim.
Vitórias de amor cantei,
Mas foi tudo um sonho, acordei.

mais um com um link para o bazar. não, não é "mais um". é o beto. obrigada, viu moço? :o)