sábado, dezembro 07, 2002



vinte e tantos anos... tsc, tsc, tsc... o que é isso, maria? querendo esconder que daqui a pouco tempo você vai ter que reler balzac, é? tolinha...


meu pai tem setenta anos. estava lendo o suplemento cultural do jornal e se deparou com essa foto:


a foto tá pequenininha no site do jornal, não colocaram inteira, mas, segundo a exata descrição do meu pai (e é isso realmente), trata-se de uma roda de bicicleta enfiada num tamburete.

a matéria:

Hora do conceitual: tudo ou nada

"Existe, de fato, uma passagem da arte moderna, ainda centrada na questão estética, para uma arte contemporânea, cujo foco principal é o pensamento, ou, mais precisamente, o conceito? Ou mesmo uma arte pós-conceitual? São perguntas que povoam mentes ilustradas. (...)"

o comentário: é... o mundo tá perdido. se isso é arte eu não sei mais o que é que eu faço na privada.

eu tenho vinte e tantos anos e concordo com o meu pai.

acho que as gerações estão se reencontrando.

sexta-feira, dezembro 06, 2002


Lista De Preferências

Alegrias, as desmedidas.
Dores, as não curtidas.
Casos, os inconcebíveis.
Conselhos, os inexequíveis.
Meninas, as veras.
Mulheres, insinceras.
Orgasmos, os múltiplos.
Ódios, os mútuos.
Domicílios, os passageiros.
Adeuses, os bem ligeiros.
Artes, as não rentáveis.
Professores, os enterráveis.
Prazeres, os transparentes.
Projetos, os contingentes.
Inimigos, os delicados.
Amigos, os estouvados.
Cores, o rubro.
Meses, outubro.
Elementos, os fogos.
Divindades, o logos.
Vidas, as espontâneas.
Mortes, as instantâneas.

(Berthold Brecht)


se esse blog tivesse áudio, vocês estariam lendo ao som de b.b. king, cantando "ten long years", com eric clapton na guitarra... eu já falei desse cd aqui (riding with the king)... você ainda não ouviu? eu não acredito nisso...



minha trilha musical de hoje:

"quem não tem colírio, usa óculos escuros..."

ps. eu odeio usar óculos escuros...

você já ouviu I´ll survive cantada pelo cake? não??? faça-me um favor, né??

Dicas para melhorar seu Curriculum Vitae, falando de seus empregos
anteriores:

* Especialista em Marketing Impresso (boy do xerox)

* Supervisor Geral de Bem-Estar, Higiene e Saúde (faxineiro)

* Oficial Coordenador de Movimentação Interna (porteiro)

* Oficial Coordenador de Movimentação Noturna (vigia)

* Distribuidor de Recursos Humanos (motorista de ônibus)

* Distribuidor de Recursos Humanos VIP (motoristade táxi)

* Distribuidor Interno de Recursos Humanos (Ascensorista)

* Diretora de Fluxos e Saneamento de Áreas (a tia que limpa o banheiro)

* Especialista em Logística de Energia Combustível (frentista)

* Auxiliar de Serviços de Engenharia Civil (peão de obra)

* Segundo Auxiliar de Serviços de Engenharia Civil (coitado...)

* Especialista em Logística de Documentos (office-b oy)

* Especialista Avançado em Logística de Documentos (motoboy)

* Consultor de Assuntos Gerais e Não Específicos (vidente)

* Técnico de Marketing Direcionado (distribuidor de santinho em esquinas)

* Especialista em Logística de Alimentos (garçom)

* Coordenador de Fluxo de Artigos Esportivos (gandula)

* Distribuidor de Produtos Alternativos de Alta Rotatividade (camelô)

* Técnico Saneador de Vias Públicas (gari)

estou em casa.
ainda com conjuntivite.
ainda com garganta inflamada.
mas estou em casa.


quinta-feira, dezembro 05, 2002


hoje amanheci com a garganta (muito) inflamada
hoje amanheci com conjuntivite
hoje saí de casa às 7:50 e voltei às 20:30
hoje eu atendi, por baixo, 50 pessoas (em duas cidadedes diferentes)
hoje eu não almocei

por favor, não me perguntem como foi o meu dia...

amanhã, quando eu chegar em casa, esse blog voltará ao seu humor normal.

quarta-feira, dezembro 04, 2002


sem posts hoje. volte amanhã. muito obrigada.

terça-feira, dezembro 03, 2002


Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.
Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.
Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.
E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre -
Esse rio sem fim.
Fernando Pessoa, 11-9-1933

para vocês, queridos freqüentadores do bazar, mais uma história inacreditável da série:

“só não duvido porque você pode mandar me prender” :o)

cidadão: dra., o meu filho foi assassinado há alguns meses, eu fui na delegacia e o delegado falou que o processo já está aqui... que queria saber como é que tá andando, a sra. podia me informar?

dra.: claro. o sr. me diz o nome do seu filho, para eu pedir que peguem o processo?

cidadão: ele se chamava ***

dra.: ah, estou lembrada. o seu outro filho (irmão do que morreu), já veio aqui me perguntar sobre o processo também... bem, já foi oferecida denúncia, inclusive com pedido de prisão preventiva do acusado. agora o juiz vai analisar a denúncia. recebendo-a, vai marcar o interrogatório e o processo segue, com a ouvida das testemunhas, até o julgamento pelo tribunal do júri. o senhor vai ter que ter um pouco de paciência, certo?

cidadão: tá dra., eu entendo. mas tem outra coisa que eu quero falar com a senhora.

dra. pois não, pode falar.

cidadão: é que tinha mais gente envolvida. não foi só *** que matou o meu filho não, tinha mais gente com ele, que ajudou a matar.

dra. (folheando o inquérito) – mas seu ***, as testemunhas que viram o que aconteceu falaram que *** estava sozinho. e o sr, porque não falou isso para o delegado quando ele lhe ouviu, na delegacia? como o senhor ficou sabendo que tinha mais gente?

cidadão: é que eu só fiquei sabendo depois, dra.

dra. (quase ligando para o delegado para falar a bomba – foi um crime bárbaro, que abalou a cidade inteira): sim, mas como o senhor soube??

cidadão: o meu filho me falou.

dra.: mas como ele soube?? no inquérito, quando foi ouvido, ele também não falou nada para o delegado, inclusive disse que o irmão e *** tinham saído sozinhos do bar.

cidadão: não dra., não foi o meu filho que está vivo que falou não. foi o que morreu. ele vem conversar comigo de noite, quando eu durmo.

dra. completamente sem fala, sem saber como agir diante daquele senhor, visivelmente abalado com a situação. foi duro explicar que o delegado não reabriria o inquérito baseado exclusivamente numa “denúncia psicografada”.


e, conforme prometido (tardo mas não falho, viu louco?? :o))

Pão de mel

Ingredientes: (massa)

500 gr de açúcar mascavo (sem peneirar)
02 xícaras de chá de água
04 ovos separados
4.1/2 xícaras de chá de farinha de trigo (540 gr)
1/2 colher de chá de cravo em pó
1/2 colher de chá de canela em pó
2 colheres de sopa de chocolate em pó
01 colher de sopa de bicarbonato de sódio
01 xícara de chá de leite
01 xícara de chá de mel

Para a cobertura:

1/2 kg de chocolate meio amargo ou ao leite picado (ao leite é mais gostoso... :o)

Modo de preparo: (massa)

Em uma panela ferva o açúcar mascavo com a água durante 20 minutos, até as pedrinhas do açúcar se dissolverem e a calda ficar encorpada.
Deixe esfriar. Bata as claras em neve e reserve.
Misture, na calda, a farinha e as especiarias.
Acrescente o chocolate, o bicarbonato dissolvido no leite e as gemas.
Por último, adicione as claras e o mel. Misture delicadamente.
Unte e polvilhe com farinha formas próprias para pão-de-mel de 6,5 cm de diâmetro (você encontra em grandes supermercados).
Em uma assadeira, coloque as forminhas com 02 colheres de sopa de massa em cada uma.
Leve para assar em forno médio (180ºc), pré-aquecido por 20 minutos ou até que as bordas da massa comecem a se soltar das forminhas.
Retire do forno, espere esfriar um pouco e desenforme.

Cobertura:

Em uma panela, em "banho-maria", coloque o chocolate e leve ao fogo até derreter.
Misture bem, desligue o fogo, mas não retire a panela do banho-maria.
Caso o chocolate endureça, aqueça a água do "banho-maria" e repita a operação.
Banhe cada pão de mel, batendo o garfo na borda da panela, para retirar o excesso de cobertura. Deixe escorrer em papel manteiga.

um dia desses faço e mando para análise...

segunda-feira, dezembro 02, 2002


esse post é uma homenagem a adaílton persegonha, um homem que não tem vergonha de rever as suas posições (no bom sentido...:o))

obs. onde o cumprido fala chico buarque, leia-se diogo mainardi.


PERCEBERAM QUE EU FUREI A MINHA PRÓPRIA GREVE? É O CÚMULO, NÉ??
CONFESSO, SOU UMA TRAIDORA DE MIM MESMA... :o)
O QUE É ISSO, COMPANHEIRA???


aconteceu hoje:

a cena a seguir aconteceu numa salinha 3x2. oito irmãos falando todos ao mesmo tempo. enlouquecedor. organizada a balbúrdia, elegeu-se um interlocutor:

cidadão: dra, é o seguinte, a gente tem uma herança, né? é a terra do nosso pai. só que tem a mulher que tava morando com ele que saiu de casa e agora a gente quer dividir a terra e ela disse que ninguém vai dividir nada não. que só divide quando a gente pagar os direitos dela, do tempo que ela viveu com o nosso pai.

dra.: espera, vamos começar do começo. quanto tempo ela viveu com o seu pai? ela teve filhos com ele?

cidadão: ela viveu com ele uns 25 anos. depois que minha mãe morreu. e tem dois filhos. só que filho do casal, com minha mãe, só tem a gente. com ela o meu pai não casou no papel não...

dra.: sim, mas os irmãos dos srs. têm os mesmos direitos que vocês em relação aos bens do seu pai.

todos começam a falar ao mesmo tempo, exaltados. acalmados, depois de uns 10 minutos, passam a contar a história da família desde a época do descobrimento do brasil... lá se vão mais 30 minutos. eu, com a minha paciência de jó, já estava querendo jogar um baixinho mais ouriçado pela janela.

dra.: olha, é o seguinte. vocês têm dois caminhos: sentarem, conversarem e resolverem tudo no acordo, ou dão logo entrada no inventário do seu pai e resolvem isso judicialmente. Mas, se quiserem, posso chamar a ex-companheira do seu pai pra saber porque ela está colocando empecilho.

Cidadão: então chama, dra. é bom conversar todo mundo junto. não é bom a gente trazer o meu pai também?

dra. (perplexa): oxente! ele já morreu! não morreu não?

Cidadão: não, dra. precisava ter morrido?








diga aí?? tô ficando profissional, nénão??



A execução de Salim
(Humberto de Campos – O Arco de Esopo)

A cidade de Abadozar, na Bitínia, havia saído de uma daquelas revoluções tão comuns na Turquia Européia. Chefiada por Ahmed El-Aaabud e Salim Fashar, dois patriotas imprudentes, os camponeses das vizinhanças tinham atacado o quartel, assassinado oito soldados, o cadi e várias outras autoridades locais. No dia seguinte, porém, chegava uma grande força de Escutari, cercava os revoltosos, dava-lhes combate, e lançava mão aos dois cabeças do movimento, que foram sumariamente condenados à forca.

Em Abadozar, na cabeça da estrada que vai para Boli e Angorá, existe, como se sabe, uma grande ponte, sobre as águas profundas do rio Zacaria. E foi esse o local escolhido para executar os dois criminosos. Uma corda seria passada na trave da ponte, e, atirando-se o corpo no vácuo, ficaria ele balançando, trágico, sobre as águas marulhosas do rio.

Na tarde desse mesmo dia, cercados de tropa, as mão amarradas para as costas, seguiam os dois chefes revoltosos para o lugar do suplício. Atrás, a multidão, enorme e confusa, seguia-os dando vivas a Mustafá-Kemal e “morras” aos sediciosos. E entre os mais agitados estavam exatamente dez ou doze dos conspiradores que, na véspera, haviam tomado a cidade e assaltado os seus armazéns.

Meia hora depois chegava o cortejo ao local escolhido, sobre o rio mortuário. Sem o menor tremor nas mãos, o carrasco, Naaman El-Zaoh, passou a corda no corrimão da ponte, experimentando-a duas, três vezes. Pessoas mais curiosas debruçaram-se no parapeito, a fim de presenciar melhor o espetáculo triste.

-Primeiro tu, Ahmed! – ordenou o oficial encarregado da execução.

Desatando as mãos ao condenado, foi-lhe passado o laço ao pescoço. Quatro braços o alçaram sobre o parapeito, e, num impulso, o atiraram no ar, entre a ponte eo rio. A corda esticou-se mas ouvi-se logo um “oh!...” de admiração. Com a violência do choque, o nó se havia desfeito, projetando o condenado na correnteza.

Ao atingir a água, o corpo foi ao fundo, num mergulho longo. Ao vir, porém, à tona, o que se viu foi Ahmed, nadador excelente, meter o braço no rio, e, em braçadas largas, fender a corrente, atingir a margem, e, em correria desabalada, desaparecer no mato entre os gritos ruidosos da multidão.

Serenado o tumulto, o oficial ordenou, grave:

-Agora é a tua vez, Salim!

O criminoso, um belo turco moreno, de olhos negros e bigode pequeno, estava pálido como se já estivesse morto. A serenidade mostrada até há pouco desaparecera como por encanto. Soltaram-lhe os braços. O carrasco aproximou-se, a corda na mão.

-Naaman! – suplicou o condenado, os olhos girando nas órbitas. – Por Alá, que é Deus, tem piedade de mim!

E caindo-lhe aos pés, soluçando:

Experimenta bem esse laço, Naaman, que eu não sei nadar!...